domingo, 9 de outubro de 2011

Especial: Mulheres De Areia - Gloria Pires, perfeição em dose dupla

Devido ao grande sucesso que a novela 'Mulheres de Areia' fez em 1993 a Revista Contigo fez uma edição especial somente com a novela. Os arquivos pertencem ao Césio Gaudereto que permitiu as postagens aqui no blog e a edição é de 23 de Agosto de 1993. Além dos bastidores, cenas e fotos tem também uma reportagem com a atriz Gloria Pires intitulada "Perfeição em dose dupla" e no final uma entrevista com a autora Ivani Ribeiro, a entrevista faz parte também deste especial. Clique nas imagens para ampliar.


Entrevista, por Ismael Fernandes

Ivani Ribeiro
“Sou tímida e sossegada”

Contigo! - Por que Mulheres de Areia fez tanto sucesso?
Ivani R. - Deixa ver... Como posso explicar? Bem, acredito que a trama é perfeita e mexe com o emocional de todo mundo. A espinha dorsal é a família: duas irmãs, a mãe, o pai. Os conflitos nascem aí... São universais. A partir desse núcleo, comum a qualquer telespectador, parti para uma história de amor. Tudo isso sem deixar de lado o realismo.

C! - O sucesso não estaria ligado simplesmente ao recurso folhetinesco das gêmeas idênticas?
Claro que não. Seria muito fácil criar histórias com outros gêmeos, com sósias, pessoas semelhantes. Antes de mais nada é bom lembrar que o público não acredita mais em qualquer trama. É preciso ter uma excelente espinha dorsal, compor personagens que se identifiquem com o inconsciente coletivo, com as fantasias dos telespectadores. Desde quando comecei a escrever a novela, sabia que a magia de Ruth e Raquel era irresistível. Mas só isso não sustentaria Mulheres de Areia. foi então que pensei na aldeia dos pescadores, no Tonho da Lua...

C!-Qual das versões te agradou mais, a de 1973 ou a de 1993?
As duas foram importantes e fizeram muito sucesso. Me vejo completamente dividida. Não estou me esquivando, fugindo de tomar uma posição. É verdade... Não há nada que me aborreça em qualquer uma das versões. Ao contrário.

C!-Mas os recursos tecnológicos de hoje deram toque especial à novela, não é?
Quanto a isso não há o que discutir. A alta tecnologia surpreendeu a todos, inclusive a mim. Isso me deixou muito feliz, aliviada.  Mas é bom salientar que uma novela não chega lá apenas com boas imagens e recursos sofisticados. A Globo soube inovar sem esquecer as emoções, o cuidado com o elenco, as interpretações.

C!-Diga uma coisa: por que o Evandro Mesquita foi afastado no meio da história?
Foi um acerto entre direção, produção e ele. Não tive nada a ver com esse episódio. Simplesmente precisei dar um final ao personagem Joel. Isso acontece em várias novelas com qualquer intérprete, pode ser um veterano ou um novato. Infelizmente, o rapaz não assimilou bem o papel. Talvez em função do seu estado emocional naquele momento.
Se dependesse apenas de mim, teria optado por diminuir a participação do Evandro.

C!-No caso das interpretações, quem se saiu melhor? O elenco da versão Tupi-73 ou da Globo-93?
Todos trabalharam com muito profissionalismo. É essa a minha preocupação primordial. Não consigo distinguir os melhores ou os piores. Até porque vinte anos depois, é impossível se ter uma idéia exata da criação de cada artista. Como pouca coisa da versão original foi conservada em tape, não há parâmetros de avaliação. Apenas puxando pelas lembranças, posso afirmar que todos os atores chegaram lá.

C!-É difícil dizer quem te agradou mais como Ruth e Raquel? A Eva Wilma ou a Glória Pires?
Não é difícil. Gostei das duas atrizes. Cada uma criou Ruth e Raquel à sua maneira, seguindo a linha de seus diretores. Tanto a Eva quanto a Glória deram conta do recado e podem se orgulhar de ter um papel fundamental no sucesso da novela.
Ambas tiveram um trabalho estafante, uma vez que precisaram se desdobrar em duas personagens. Ambas estiveram ótimas, perfeitas.

C!-E agora... O que a Ivani vai fazer da vida?
Acho que mereço umas férias, não é? Um descanso.

C!-E depois?
Outra novela. Depois de várias adaptações de antigos sucessos, estou decidida a partir para uma história original. Já tenho até a base. Falta somente esquematizar os núcleos secundários.

C!-Pode adiantar que base é essa?
Não... (Sorri). Não posso falar. Já me roubaram muitas idéias.

C!-Por que você se mantém distante do assédio da imprensa, das badalações?
Comecei minha carreira no rádio, onde há um distanciamento das badalações, das fotografias nos jornais e revistas. Até hoje me mantenho assim. Sou tímida, de comportamento sossegado. No entanto não critico quem age de maneira oposta. Sei que muitos precisam se manter em evidência para dar continuidade a seus trabalhos. É o jogo. Felizmente nunca precisei disso. Sempre fui respeitada por meu jeito de ser.

C!-Como você analisa a televisão hoje?
Com algumas reservas. Ao mesmo tempo em que temos uma produção fantástica como essa de Mulheres de Areia, onde tudo, ao que me parece, deu certo, vemos no ar várias novelas importadas. É algo de inconcebível, uma vez que nós, brasileiros, fazemos a melhor telenovela do mundo. O que é produzido nos demais países latinos só faz embrutecer o telespectador. E o nosso campo de trabalho, principalmente para os artistas, acaba diminuindo. Já não se faz mais cinema. Teatro, só com muita dificuldade... Para completar, vêm essas tramas ruins. Graças a Deus o público tem reagido e virado as costas.

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