segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Gloria Pires e Antonia Morais estarão juntas em comédia familiar

Em ‘Linda de morrer’, atrizes contracenarão em situações que envolvem cosméticos e espíritos


RIO - Quem passou pela Urca na tarde de uma quarta-feira, há poucas semanas, viu Gloria Pires descalça, usando um vestido de gala vermelho e gritando para o ator Emilio Dantas: “Eu preciso de você!”. Quem foi paciente e esperou um pouco mais, ainda presenciou Antonia Morais ignorando completamente a presença de Gloria e também gritando com o pobre do Emilio: “Você vai continuar com esse teatrinho ridículo?”

Tudo isso aconteceu na calçada da Avenida Pasteur, em frente à escola de fotografia Ateliê da Imagem, como parte das gravações de “Linda de morrer”, o primeiro filme que une a experiente Gloria e sua jovem filha Antonia, as duas mantendo na ficção a mesma relação da realidade. O longa-metragem é uma comédia dirigida por Cris D’Amato (“Sem controle” e “S.O.S.: Mulheres ao Mar”) e produzida por Iafa Britz (“Nosso lar” e “Minha mãe é uma peça”), que chegará aos cinemas em 2015, provavelmente em agosto.

— O filme tem permitido que eu e a Antonia nos conheçamos melhor. Cada uma tem olhado para a outra sob um ponto de vista diferente. Muito da nossa interpretação no filme acaba sendo uma manifestação de nossas vivências pessoais — diz Gloria.

Na verdade, em “Linda de morrer” Gloria e Antonia não chegam a contracenar tanto quanto se poderia esperar, mas aparecem em cena juntas em várias situações. Acontece que em boa parte do filme a personagem de Gloria será um espírito de uma médica que vaga pela Terra depois de morta, tentando se comunicar com a filha. Para isso, ela terá a ajuda de uma mãe de santo (vivida por Susana Vieira, o que tem tudo para ser o melhor casting da história do cinema brasileiro) e de seu neto, Daniel (Emilio Dantas).

— Vai ser uma comédia familiar, focada na relação entre mãe e filha. A gente nunca sai de casa achando que alguma coisa de ruim pode acontecer e que não vamos voltar. Por isso, é importante lembrar algumas coisas simples, como dizer “eu te amo” todos os dias e valorizar as pessoas próximas. Nunca se sabe o que pode acontecer — explica Cris D’Amato.

O contexto por trás da morte da personagem de Gloria terá a ver com a indústria de cosméticos. Ela será uma dermatologista que acredita ter descoberto a solução definitiva para a celulite, mas acaba sofrendo um acidente justamente em decorrência do uso do remédio.

Já a personagem de Antonia será uma estudante de fotografia com quem a mãe terá uma briga pouco antes de morrer.

— Acho que, no set, eu acabo esquecendo que ela é minha mãe de verdade. Vejo-a como a grande atriz que ela é — diz Antonia. — O conflito entre a mãe e filha no filme parte das diferenças entre elas. Minha personagem é completamente desencanada com estética. Ela se cuida com naturalidade, mas não passa horas do dia preocupada com beleza.

Em uma das cenas rodadas na Urca, a personagem de Gloria, já um espírito (vestindo a roupa que usava quando morreu), tenta convencer Daniel a usar sua capacidade mediúnica a ajudá-la. O rapaz resiste, sobretudo pela descrença da filha em acreditar que a mãe pode se comunicar, e depois ainda toma uma bronca da personagem de Antonia.

Só essa sequência levou mais de uma hora para se gravada, porque filmagens têm dessas coisas mesmo: os atores fazem a cena uma, duas, quantas vezes for preciso até o diretor considerar o trabalho satisfatório — dizem que Stanley Kubrick, famoso por seu perfeccionismo, fez Tom Cruise atravessar uma mesma porta 97 vezes para uma cena de “De olhos bem fechados” (1999). No set de “Linda de morrer”, muitas das repetições foram necessárias pela dificuldade em controlar as dúzias de pessoas que cruzavam a rua e queriam fotografar Gloria Pires.

— A história do filme tem a ver com a história de toda família. Embora hoje existam mais mecanismos para se comunicar, acredito que as pessoas se comunicam muito mal. A gente não tem muito tempo para ouvir o outro, e “Linda de morrer” vai acabar servindo como um resgate da importância de darmos atenção para as pessoas de quem a gente gosta — afirma Gloria Pires.


Fonte:
OGlobo

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