segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Blog 'Posso contar contigo?' entrevista Eduardo Nassife

O Blog 'Posso contar contigo?' entrevista Eduardo Nassife, autor do maravilhoso livro '40 ano de Gloria', e a gente divide essa ótima entrevista aqui com vocês.

Ele é um dos autores do Livro 40 Anos de Gloria (Biografia da Atriz Gloria Pires); Ex-aluno da Master Class (Curso de Roteiristas promovido pelo Autor Aguinaldo Silva). Atualmente, Colaborador/Pesquisador na Equipe da novela Fina Estampa, da Rede Globo. Um jovem experiente profissional, idealizador, mas sobretudo, conquistador de seus objetivos. Solícito, Edu Nassife nos deu a honra dessa entrevista e o agradecemos por isso. Confira!

Por Isaac Abda e Júnior Bueno



Isaac Abda - Qual a sua formação? O que fazia o Eduardo Nassife antes da atual fase?
Eduardo Nassife - Fiz Faculdade de Telecomunicações por dois semestres, mudei pra Jornalismo e coincidentemente, cursei apenas dois períodos. Trabalhei por cinco anos no Setor Administrativo de um hospital particular no Rio de Janeiro. Dei aulas de inglês para turmas de um Colégio Supletivo. Mas de fato, a minha vontade sempre foi ser roteirista, e como eu, tal qual a maioria da população brasileira, não poderia me dar ao luxo de viver de “sonhos”, tive que ir desempenhando funções outras, até rumar ao encontro de meus objetivos.

Isaac Abda - Pode resumir como se deu todo o processo desde a idéia até o lançamento do livro sobre a carreira da Glória Pires?
Eduardo Nassife
- O projeto do livro surgiu em 2001. Eu já era amigo da Glória, então propus que o fizéssemos, mas inicialmente ela relutou por se achar nova para vincular-se ao projeto. Daí a convenci de que o foco seria a sua vida “artística”, pois tendo começado a carreira ainda criança, com personagens memoráveis ao longo dos anos, renderia sim, uma rica biografia. Ela gostou da ideia e topou. Nesse período a minha rotina foi totalmente direcionada a conquista de dados, fotos, vídeos, depoimentos, enfim, tudo que possibilitasse a produção de um livro detalhista, de qualidade. A Glória participou “ativamente” de todo o processo. Eu a acompanhava quase que constantemente, fosse a salão de beleza, consultórios médicos (risos), gravações de novela (à época de Desejos de Mulher), tomávamos café, almoçávamos e/ou jantávamos juntos, e até mesmo nas folgas eu tava “colado” (risos).
Em 2004, ainda envolvido no projeto, tive que pausá-lo, devido a um acidente sofrido por meu pai. Meu irmão mais velho, não tinha disponibilidade para cuidar adequadamente dele, pois as suas obrigações militares o impossibilitavam, e a nossa irmã caçula, era muito nova para tal responsabilidade. Fiz o que tinha de ser feito, na certeza de que assim que possível eu retomaria a feitura do livro.






Isaac Abda - Em algum momento a Glória desacreditou que o projeto pudesse ser concretizado?
Eduardo Nassife
- Nunca. Certa vez, ao fim de uma entrevista, ela me olhou e disse: “Nossa! Quem não te conhece pode até achar que você tá na vida a passeio, mas eu que te conheço há anos, sei que você tem certeza de aonde quer chegar.” E isso pra mim foi reconfortante, pois eu era inexperiente, mas ela confiou na minha capacidade e deu total apoio. Há um fato curioso e que vale o registro: Numa das tantas tardes/noites de lançamento do livro, pelo Brasil, estávamos nos bastidores, instantes antes de recebermos as pessoas, quando me deu uma crise nervosa e eu comecei a chorar de emoção. Ali era como se um filme passasse pela minha cabeça.


Isaac Abda - O Documentário sobre a Glória Pires já integrava o projeto biográfico ou os bons resultados do livro levaram a essa proposta?
Eduardo Nassife
- Eu já pensava nisso, mas óbvio que os bons resultados do livro ratificaram essa possibilidade. E tudo tem caminhado para dar certo, pois eu conto com o Know-how de dois amigos, donos de uma produtora em São Paulo, a DDFilmes. O Dario Dezem, tem em seu currículo, entre outros, o longa documental O Sequestro, premiado em Los Angeles, e o Fred Augusto, foi muito feliz com o documentário da Bibi Ferreira.
Não faremos um documentário ficcional, nenhuma atriz vai interpretar a Glória. Serão mostradas muitas imagens de arquivos, inclusive pessoais dela. Depoimentos, bastidores do período em que eu a acompanhava colhendo informações, enfim, vem coisa boa por aí.

Isaac Abda - Então a parceria com o Fábio Fabrício Fabretti não continua nessa fase do projeto?
Eduardo Nassife
- O Fábio é um excelente profissional, meu amigo de muitos anos também, por isso mesmo o convidei em 2008, quando retomei o projeto, para juntos concluirmos o livro da Glória. Antes ele já havia lançado livros em Portugal, Alemanha, França, e por ser um escritor literário, só acrescentou no desenvolvimento do projeto. Mas atualmente ele tá escrevendo a biografia da Neuzinha Brizola, em parceria com o Lucas Nobre, que, aliás, foi apresentado por mim. Em breve devem ter novidades sobre esse projeto.


Isaac Abda - Você era inexperiente, e foi bem sucedido na parceria com a Glória Pires. Agora já está envolvido no projeto biográfico da atriz/apresentadora Cissa Guimarães. Pode nos falar sobre o foco deste trabalho?
Eduardo Nassife
- Eu conheço a Cissa há dez anos, ela foi uma das entrevistadas para o livro da Glória, na época em que fazia a novela O Clone. Nós temos uma amiga em comum, a Melise Maia, que também é atriz, fez alguns trabalhos na Rede Globo nos anos 80/90, e a proposta partiu dela. Mas será uma biografia mais abrangente, tratando também de assuntos familiares e não só de carreira profissional. A Cissa é uma querida amiga, muito solícita, e eu estou contente por ter podido aceitar o convite para escrever mais esse livro. Aproveito para retificar o que dizem alguns colunistas da “imprensa marrom”: o livro vai tocar no assunto da trágica morte do filho da Cissa, o Rafa, mas este não será o foco principal.


Isaac Abda - O ano era 2009, você, já realizado como escritor, decide por concorrer à participação na Master Class (curso de roteiristas) promovida pelo Aguinaldo Silva. Percebeu que aquele era o momento de começar a conquistar os seus objetivos como roteirista?
Eduardo Nassife
- Eu tava sim, muito contente naquele momento, orgulhoso pelo livro, mas ainda não me realizava por completo, eu queria mesmo escrever meus filmes, minhas novelas, e se não fosse o curso com o Aguinaldo, talvez demorasse muito mais. Sempre gostei de TV e freqüentava o blog do Aguinaldo quase que diariamente, ele era atencioso, respondia aos meus comentários. Então quando ele lançou o concurso para a escolha dos participantes do curso que daria sobre roteiro, não tive dúvidas, tratei de desenvolver a versão de uma cena baseada na original da novela Tieta (uma das minhas favoritas), e fiquei ansiosamente aguardando o resultado. Embora concorrendo com outros tantos talentosos, sem querer parecer pretensioso, eu estava confiante. A expectativa pelo resultado foi tamanha, que no dia em que ele divulgou a lista dos aprovados, eu olhei umas duas vezes e não consegui enxergar o meu nome (risos), mas felizmente também constava da lista.
Essa aprendizagem com o Aguinaldo mudou a vida de pelo menos cinco pessoas que foram contratadas pela Rede Globo, eu, o Bruno Pires, a Meg Santos, Rodrigo Ribeiro e o Maurício Gyboski.


Isaac Abda - Contratado da Rede Globo. Hoje um dos colaboradores do Aguinaldo Silva na autoria da novela Fina Estampa. Ignorando a obviedade da função do pesquisador, pode nos explicar de que modo se dá o seu trabalho na equipe?
Eduardo Nassife
- Eu comecei em Fina Estampa como colaborador e pesquisador, escrevi também algumas cenas, e só mais adiante foi que fiquei especificamente desempenhando a função de pesquisador. Fina Estampa tem uma pesquisadora jurídica, e além desta, o Aguinaldo já contava com o bom trabalho de pesquisa da Carla Siqueira, mas achou que eu também poderia assumir essa responsabilidade, afinal o trabalho de pesquisa para dar suporte aos autores de uma produção novelística e sendo essa no horário nobre, não é tarefa fácil.
A responsabilidade de um pesquisador é enorme, se o trabalho for mal feito toda a novela pode ser prejudicada, a credibilidade do autor será questionada.
Em termos práticos, eu peguei a sinopse de Fina Estampa e a decupei, li e reli, e fiz uma lista de assuntos que mereciam ser abordados com credibilidade, enviei ao Aguinaldo e ele aprovou, então comecei a ir em busca de dados, registros, fotografei lugares, entrevistei diferentes pessoas, algumas educadas, outras desconfiadas, até mal humoradas. A personagem da Arlete Sales, por exemplo, é uma taxista, eu tive que conhecer a rotina, a linguagem dessas profissionais, enfim. É uma constante, pois o trabalho é feito em cima da sinopse, e os capítulos são escritos com todas as informações necessárias, passadas pelos pesquisadores.
Júnior Bueno - O projeto Master Class do Aguinaldo Silva visava renovar o ciclo de roteiristas de dramaturgia na TV. Ao mesmo tempo, o horário das nove da Rede Globo, há anos não muda o quadro de autores. O público e a TV estão preparados para a renovação?
Eduardo Nassife
- Acredito que sim. Observe o sucesso que vem alcançando a novela A Vida da Gente, da Lícia Manzo, ou ainda as tramas igualmente bem sucedidas da Duca Rachid e Thelma Guedes, O Profeta, Cama de Gato, e mais recentemente, Cordel Encantado. Também o talentoso Vincent Villari, que mesmo jovem, é um dos colaboradores da Maria Adelaide Amaral há anos.

Isaac Abda - Recentemente entrevistei o Aguinaldo Silva e ao indagá-lo sobre a hipótese de a sua biografia ser feita, declarou que sim, é uma possibilidade considerada por ele. Independente de vínculos de amizade e de relação profissional que existe entre vocês, se envolveria em mais um projeto audacioso, tendo como personagem principal o polêmico autor?
Eduardo Nassife
- Sim, já pensei nisso. O Aguinaldo é um cara fantástico, e algumas pessoas comentam de que o acham prepotente, presunçoso, mas talvez pelo simples fato de nem o conhecerem bem, pois o autor da novela global, que usa o twitter, blog, facebook, enfim, aquele cara é um polêmico personagem. Ele é completamente tímido, carinhoso, bom papo, generoso. Eu te pergunto: Qual foi o autor que se preocupou em preparar e lançar 10 (contando com os cinco da equipe de Lara com Z) novos roteiristas na TV? Eu desconheço outro.

Júnior Bueno - Dentre os teus projetos há também a feitura de um Curta estrelado pela Antônia, filha da Glória Pires. Pode dizer sobre o que se trata?
Eduardo Nassife
- A Antônia é leonina como eu. É jovem e herdou o talento da mãe e do avô, o saudoso ator/humorista Antônio Carlos. Ela acabou de sair da Oficina de Atores da Rede Globo.
Eu ainda estou lapidando o roteiro, mas basicamente fala de uma jovem escritora que vem de uma cidade do interior para lutar e vencer no Rio de Janeiro. É um pouco autobiográfico. Falarei de quando o jovem enfrenta dificuldades para começar uma carreira, quando as pessoas não acreditam tanto no seu potencial, das tantas “portas na cara” peculiares aos iniciantes. Enfim, é um pouco do que eu vivi.


Júnior Bueno - Se você pudesse escolher a programação de um canal de TV por 24 horas, o que o público iria assistir? E o que não seria exibido de jeito nenhum?
Eduardo Nassife
- Se eu fosse um “Boni”, dos áureos tempos da Globo, eu faria de tudo um pouco, colocaria programas de entrevista, de variedades, documentários, filmes, novelas, programas de humor, jornalismo, esportes. Mas não permitiria de modo algum, programas de mau gosto, exploradores da desgraça alheia, sensacionalistas, programas de “imprensa marrom”, programas irrelevantes, que não acrescentam em nada.

Júnior Bueno - Você assiste às novelas de outras emissoras? O que acha?
Eduardo Nassife
- Não. E nem é pelo fato de eu trabalhar na empresa, mas apenas pela questão de preferência. A Globo é a emissora que mais investe em teledramaturgia e a faz com muita competência, maestria. Não por acaso é um dos principais produtos da TV brasileira, já há décadas. Mas acho super válido e importante que haja produções em outros canais. Bom saber que a Record, o Sbt, também produzem novelas, diversifica, e além disso, é mais oportunidade de emprego para os tantos profissionais/artistas que somente a Globo não absorveria.

Isaac Abda - Uma grata “surpresa” em Fina Estampa, o personagem Crô Vallério, interpretado pelo Marcelo Serrado, tem repercutido bastante e a resposta do público é positiva. Ele tem um amante ainda não revelado pelo autor. Alguma pista?
Eduardo Nassife
- Assistam aos capítulos da novela que certamente saberão no momento adequado. (mais risos)

“O Posso Contar Contigo?” agradece a sua gentileza e deseja ainda mais sucesso.
Eduardo Nassife
– Eu também agradeço!

Abaixo, uma das cenas preferidas do Edu Nassife, interpretada pela Glória Pires:





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