terça-feira, 5 de junho de 2012

A experiência gay de Gloria Pires

Atriz se prepara para viver sua primeira personagem homossexual em longa que sofre com o preconceito

Rio - Em mais de 40 anos de carreira, Gloria Pires nunca fez uma cena de sexo homossexual. A primeira vez vai ser com a atriz australiana Miranda Otto, no filme ‘Flores Raras’, que começa a ser rodado no próximo dia 11, no Rio. O longa, inspirado na obra ‘Flores Raras e Banalíssimas’, de Carmem Lucia de Oliveira, conta a relação entre a arquiteta Lota Macedo de Soares e a poeta americana Elizabeth Bishop.

“Para mim, é difícil fazer as cenas de sexo gay. Nunca fiz uma cena dessas. Pelo que já filmei de sexo, depende muito da confiança no ator. É diferente de você se apaixonar realmente por uma pessoa e se envolver com ela. Ali, você está em um momento que não deixa de ser íntimo, porque está exposto, mas onde existem um monte de questões técnicas que precisam ser seguidas”, explica Gloria.



O romance se passa na década de 50, período em que o Parque do Flamengo — idealizado por Lota — foi construído. Para tornar o filme mais mais realista, além de todos os efeitos de reconstrução da cidade para a época, a produção vai ter que seguir os conselhos da autora do livro original e se desdobrar para enfear Gloria Pires.

“Mas isso não é difícil”, brinca Gloria. “Particularmente, não achava ela feia. Acho que era sem essas vaidade mulherzinha. Quando ela começou a ficar grisalha, não foi lá pintar o cabelo. Inclusive porque ela ganhou um poema lindo da amada, falando dos primeiros fios de cabelos branco. Vamos colocar um aplique, porque estou com cabelo curto. Ela tem o cabelo longo, está sempre de coque. Também vamos fazer o envelhecimento de pele com látex”, descreve a atriz.

Mas essa é a tarefa mais fácil do filme. O grande problema é que, com essa temática homossexual, a produção está com dificuldades para conseguir patrocínio e até de escalação. “É loucura, ainda hoje, as pessoas estarem preocupadas com isso. Ouvi falar de uma menina que não pôde fazer o teste porque a mãe não deixou, achou que não seria bom para a garota. Só que a menina não presenciaria nada. É uma inabilidade da mãe em tratar do assunto”, se indigna Gloria.

Fonte:

Nenhum comentário: