sábado, 1 de dezembro de 2012

Gloria Pires emplaca seu primeiro papel cômico em novelas



Notícia publicada na edição de 01/12/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno Mais Tv - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

* Márcio Maio - TV Press

Gloria Pires está longe de achar que já fez de tudo como atriz, ao longo de mais de quatro décadas de carreira. Mesmo assim, confessa que se surpreendeu com a possibilidade de, aos 49 anos e com uma trajetória televisiva de fazer inveja em muitos colegas, estrear nos folhetins de comédia em "Guerra dos Sexos". "É claro que, como estou saindo da minha zona de conforto, bate um frio na barriga e uma preocupação maior antes de gravar determinadas cenas. Mas isso também aumenta o prazer, dá um gás diferente", empolga-se a intérprete da temperamental Roberta do remake de Silvio de Abreu.
 
Curiosamente, a convivência com o humor se iniciou ainda muito nova. Gloria é filha do finado humorista Antônio Carlos Pires, que atuou em diversos programas do gênero. Como, por exemplo, "Escolinha do Professor Raimundo", onde encarnava o matuto Joselino Barbacena. "Eu até poderia seguir esse caminho, mas as oportunidades apareceram e me jogaram para o drama. Não foi algo premeditado", lembra. 

P - Esta é sua estreia em um papel cômico em novelas. Como recebeu a proposta? 

R - 
Pois é, nunca fiz isso na tevê. Na verdade, até fiz. Mas em programas humorísticos há muitos anos e, mais recentemente, no seriado "As Brasileiras". Serviu como uma espécie de ensaio rápido, para experimentar essa coisa mais leve. Mas "Guerra dos Sexos" tem um tom muito diferente, que na minha visão é totalmente novo. E isso é o que está me empolgando tanto nesse trabalho. É uma personagem com um ritmo acelerado, ágil. Tem um sabor bem diferente do que normalmente eu faço na televisão. O interessante é que tem torta na cara, mas não sai completamente do drama. A história da Roberta começa com a morte do marido dela. Vai de um extremo ao outro. E mesmo nos momentos dramáticos, é uma outra região, distante da que já conheço. 

P - Você acompanhou a primeira versão da novela?

R -
 Não. Eu trabalhava bastante e já tinha a Cleo (Pires, filha da atriz). Ela estava com um aninho nessa época. Claro que a cena da guerra de comida da Fernanda Montenegro e do Paulo Autran é um clássico. Essa referência eu tenho. Mas a novela em si eu não assisti. O que para mim é até bom, porque o Silvio defende que é uma outra história. Os personagens têm os mesmos nomes, mas os rumos podem ser diferentes. Não existe um compromisso de repetir o que foi exibido naquela época. 

P - Por que você não investiu mais no humor na tevê?

R - 
As oportunidades vieram e eu fui para o drama. Não foi bem uma escolha. Mas sempre tive mesmo uma ligação muito forte com o drama. Era um sentimento que logo aflorava em mim. Já a comédia é algo que venho trabalhando. Estou descobrindo ainda. E, confesso, adorando. Até porque acho que, para você fazer comédia e essa é uma impressão pessoal, sinto que está acontecendo comigo , precisa ter a capacidade de rir de si mesmo. Não dá para se levar a sério. Só assim a comédia rola bem. Esse exercício tem sido regenerador para mim.

P - De quem partiu a ideia de escalar você para um papel cômico? Foi o Silvio de Abreu ou o Jorge Fernando?

R - 
Não sei quem pensou nisso. Mas foi o Jorge quem me convidou. Eu estava a algumas semanas de encerrar "Insensato Coração" quando ele conversou comigo, na Globo mesmo. Disse que faria "Guerra dos Sexos" e que queria que eu fizesse a Roberta. Eu não sabia bem o que era, não vi a novela. Então, pedi para ele me explicar. Aí soube que tinha sido a personagem da Glória Menezes e que seria nesse tom. Respondi que estava dentro. Foi um sucesso que marcou a carreira do Silvio de Abreu e, sinceramente, achei maravilhoso poder vivenciar esse reencontro dele com sua obra. E nunca tinha trabalhado com o Jorge Fernando como diretor. Fizemos uma novela juntos, "Água Viva", mas ele estava lá como ator. Depois, não nos encontramos mais profissionalmente na televisão. Só no cinema, porque ele fez uma participação hilária no "Se Eu Fosse Você", mas também como ator.

P - Era um desejo seu experimentar a comédia em uma novela?

R - 
Não parava para pensar nisso. Tenho trabalhado muito, venho emendando um trabalho em outro. E quase nada do que fiz foi planejado. Mas estou bastante motivada com essa personagem. Quando aceito fazer qualquer trabalho é porque percebo que está me faltando algo e que preciso fazer aquilo para suprir essa falta. Vejo que vai ser bom para mim, para a minha vida, para o meu currículo. Mas acho que, para uma estreia no humor, foi bacana encontrar essa chance, ao lado do Silvio e do Jorginho. 

P - Por quê?

R - 
Qualquer atriz espera conquistar oportunidades diferentes na profissão. Isso independe do tempo que você tem de carreira. Fiz um trabalho marcante com o Silvio, em "Belíssima", mas era outra "praia". Às vezes, aparecem convites muito bons, do tipo irrecusáveis, mas que não são possíveis de conciliar com outras coisas. Dessa vez, não bateu com nenhuma outra novela ou com projetos fora da televisão. Eu até pretendia passar um pouco mais de tempo fora do ar, já que "Insensato Coração" foi ano passado e a Norma foi um papel muito forte para mim. Mas foi tão incrível a proposta de fazer "Guerra dos Sexos" que não dava para dizer um "não".

P - O que você busca atualmente na sua carreira?

R - 
Não sou o tipo de pessoa que fica buscando o que gostaria de fazer. Presto, sim, muita atenção em tudo que aparece para mim. Mas o que eu sempre procuro é ir para um outro lado, experimentar novas possibilidades mesmo depois de 45 anos de carreira. Não é uma coisa que se explique facilmente. O importante é a gente sempre tentar se reinventar. Cada ator tem a sua forma de tentar isso. 

P - E qual é a sua?

R - 
A televisão tem um esquema muito mais definido que o das diversas produtoras de cinema. Então, sem dúvidas, o cinema tem sido para mim um excelente caminho de experimentação. Na tevê, trabalhamos quase sempre em um único formato. Se eu saísse da Globo e assinasse com a Record, certamente teria experiências novas, com as quais nunca lidei. Já os filmes têm produtores diferentes, com experiências e patrocínios distintos.

Em família
Gloria Pires tem motivos de sobra para se sentir envaidecida. Além de, pela primeira vez, explorar o humor em uma novela, também se sente orgulhosa pelo espaço que as duas filhas atrizes estão conquistando. Cleo Pires é um dos principais nomes do elenco feminino de "Salve Jorge", novela das 21h da Globo, na pele da corajosa Bianca. 

E Antônia Moraes se prepara para gravar suas primeiras cenas em "Guerra dos Sexos", já que foi escalada para interpretar uma personagem que só entra nas próximas semanas. Existe, inclusive, a expectativa de a menina ter algumas sequências ao lado da mãe. "Fico muito feliz, é um privilégio poder encontrar com elas no meu trabalho. Mas essa proximidade não faz com que eu interfira em nada. Prefiro que exista uma independência. Elas também acham isso", conta.


Fonte:
Jornal Cruzeiro do Sul (01/12/2012)

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