terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Filme estrelado por Gloria Pires e Miranda Otto é recebido com aplausos em Berlim

Bruno Barreto retoma forma com filme recebido com aplausos em Berlim

RODRIGO SALEM
ENVIADO ESPECIAL A BERLIM
MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DO RIO


Bruno Barreto, 57, reencontrou sua sensibilidade. Após uma década produzindo comédias ("Voando Alto", "O Casamento de Romeu e Julieta") e denúncias disfarçadas de drama ("Caixa Dois" e "Última Parada 174"), o cineasta de "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976) volta a realizar um bom romance para o cinema com "Você Nunca Disse Eu Te Amo", que teve première mundial no sábado (9), no 63º Festival de Berlim.
A história de amor visceral entre a poeta americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e a arquiteta e paisagista brasileira Lota de Macedo Soares (Gloria Pires) no Rio dos anos 1950 e 1960 foi recebida com aplausos na mostra Panorama (e com risos, por causa do excesso de patrocínios estampados na abertura).
Num festival menos engajado (o tema do ano em Berlim é a sobrevivência da comunidade no mundo moderno), o longa poderia disputar o Urso de Ouro, se estivesse participando da competição oficial -em parte por incompetência da concorrência.
Bruno recebeu o projeto da mãe, Lucy Barreto, fã do livro "Flores Raras e Banalíssimas", de Carmem Lúcia de Oliveira, de quem comprou os direitos de filmagem em 1997.



Mas o cineasta nunca foi grande entusiasta da ideia. Somente quando separou-se da atriz Amy Irving, em 2005, que percebeu a atração pelo projeto. "Fiz dois filmes, mas este ficou comigo o tempo todo. Eu entendia aquela história sobre perda. Lota 'c'est moi' [sou eu]", brinca.
Entendia tanto que batizou a produção de "A Arte de Perder" --inspirado nos versos de "One Art", poema de Bishop que abre o filme. Mas os outros membros da produtora (familiar) LC Barreto preferiram apostar em "Flores Raras", que, duas semanas antes da estreia em Berlim, foi mudado para "Você Nunca Disse Eu Te Amo" (frase dita por Lota para a amante).
"O primeiro nome ainda é meu preferido, mas não acharam comercialmente bom. Não quis ir contra, pois, se algo der errado, não queria que me culpassem", graceja Barreto.
O cineasta não deveria se preocupar. O longa, que deve estrear no Brasil em 24 de maio e é quase todo falado em inglês, é seu melhor trabalho em duas décadas.
Apesar da mão pesada no final, reforçando de forma redundante as palavras da poeta, Bruno Barreto se vale do roteiro escrito por Carolina Kotscho ("2 Filhos de Francisco") e Matthew Chapman ("O Júri") para criar emoções e personagens reais, com virtudes e defeitos palpáveis, interpretadas com vigor por Gloria Pires e Miranda Otto.
Gloria constrói Lota (1910-1967), responsável pela criação do Aterro do Flamengo e que morreu de overdose de tranquilizantes quando a relação com Bishop já estava arruinada, como uma mulher de sexualidade acentuada e personalidade forte, com direito a cenas picantes.
"Falei para a Gloria que ela pode ter uma carreira como a da Juliette Binoche ou da Marion Cotillard", exalta Lucy.
Já a australiana Otto compõe Bishop (1911-1979) com uma fragilidade comovente, seja quando ela se entrega ao alcoolismo seja ao vencer o prêmio Pulitzer de poesia em 1956 por "North & South".
"Por tudo que já exibimos, confiamos muito nele", diz a produtora Paula Barreto, irmã de Bruno.


Fonte:
Bol Notícias

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