domingo, 23 de janeiro de 2011

Gloria Pires volta à TV em 'Insensato Coração'

Reportagem de Mácio Maio

Depois de três anos em Paris, na França, Gloria Pires sabia que a volta ao Brasil não seria em silêncio. Mas ficou surpresa com todas as coincidências que acabaram transformando o retorno em algo ainda mais esperado. Primeiro, a intérprete da simplória Norma de Insensato Coração foi convidada por Aguinaldo Silva para protagonizar Fina Estampa e pediu para ler a sinopse, sem saber que a novela seria na sequência da trama de Gilberto Braga. E, depois, com a reprise de Vale Tudo no canal pago Viva, da Globosat, aumentam as expectativas em relação a uma nova vilã em sua carreira, já que Norma é presa injustamente e sai da cadeia disposta a fazer tudo para se vingar de Léo, interpretado por Gabriel Braga Nunes. "A Norma é mais que uma vilã. Esse título limita muito. A proposta do Gilberto é surpreendente e vai assustar o público. Mas não sei se vai haver espaço para comparações, porque talvez Vale Tudo já tenha saído do ar quando isso acontecer", argumentou.
Desde 1997, quando fez a Nice, de Anjo Mau, você não interpreta uma vilã. Essa característica torna o retorno mais especial?
Não busco necessariamente o papel de vilã. O sonho de todo ator é um personagem inteiro, tridimensional, que tem começo, meio e fim, uma lógica. Para o público, os vilões podem até ficar mais marcados. Mas, para mim, não. Não escolho um personagem por ele ser vilão ou não.
O que conta para você na hora de escolher um personagem?
O que ele tem de humano e o que pode servir para os que estão assistindo. Interessa que mensagem aquele personagem pode deixar para o público. A coisa mais bacana da TV, o que me dá mais prazer em ser atriz, é saber que meu trabalho serviu para alguma coisa na vida das pessoas. Seja por um momento ou por uma vida. Encontro muita gente nas ruas que fala de como aqueles papéis mudaram a forma de pensar ou agir de quem assistia. Não sou eu, a Glória, mas sim os personagens que sobreviveram ao tempo, que estão aí, vivos na memória.
E que mensagem você acha que a Norma pode levar ao público?
Olha, não quero ficar falando da personagem porque acho que é muito interessante esse caminho que o Gilberto e o Ricardo escolheram. A reviravolta que acontece não é gratuita. Tem uma história cheia de dor por trás dela. E imagino que o que vem depois vai ser uma grande surpresa. Até para mim. A Norma é usada em um golpe e vai presa. Existe uma condenação, um período em que ela fica na cadeia e, aí, se prepara para se vingar. Ela já sai da prisão pronta, com todas as armas para essa vingança. Por isso, não a vejo como uma simples vilã, ela corre atrás de uma reparação desse golpe. Só que fazendo coisas que até Deus duvida.
Você estava nos planos de Gilberto Braga para Insensato Coração ao mesmo tempo em que Aguinaldo Silva tentava confirmar seu nome como protagonista de Fina Estampa, a próxima novela dele. Como se sentiu no meio desse desencontro?
É lógico que me senti envaidecida. E pelas personagens, ambas irrecusáveis. O que me deixou triste é que muita gente tratou como uma disputa e não foi assim. Noticiaram de uma forma truncada. Mas quero ter a oportunidade de fazer uma novela do Aguinaldo no futuro.
O que de fato aconteceu?
Há dois anos o Gilberto me chamou para fazer essa novela e eu, prontamente, aceitei. Fiquei reservada. Ele ainda não sabia o que seria a personagem, mas confio demais no Gilberto. Quando já estava meio que na época de vir para o Brasil, teve a história do Aguinaldo. Vi pela internet que ele teria dito que queria que eu fizesse a novela. Consegui o e-mail dele, escrevi, perguntei se era verdade e ele confirmou. Disse que tinha interesse em ler a sinopse. E li. Gostei muito. Mas não sabia que seria em seguida à novela do Gilberto. As pessoas falaram que seria uma disputa, mas não. Foi mesmo um desencontro.
Com quem ficou a decisão de qual novela pegar? Foi sua ou da Globo?
Isso foi com a empresa. Afinal, eu já estava escalada para a novela do Gilberto.
Você morou três anos na França e, nesse período, lançou biografia e até ganhou prêmio com o filme É Proibido Fumar. O que impulsionou essas transformações?
Sempre trabalhei muito. Comecei bem nova e usei toda a minha energia, as minhas oportunidades, para conquistar meu espaço. E sempre gostei de novas possibilidades. Acho que a maturidade e o fato da minha carreira estar bem, do meu espaço já existir, faz com que eu me sinta confortável para buscar outros caminhos, para arriscar. E, mais até do que disposição, tenho tido sorte. As pessoas têm me chamado para trabalhos incríveis. Só fiz aceitar.
Nesses três anos no exterior, não passou pela sua cabeça tentar uma carreira internacional?
Nunca pensei nisso. Se acontecer, é claro que não vou jogar a chance fora. Mas não é uma coisa com a qual eu sonho. Um bom personagem, uma boa oportunidade, isso não se nega em nenhum lugar do mundo. Se pintar, eu faço. Mas não fico esperando e nem correndo atrás.
Você tem 47 anos. Como lida com essa passagem de tempo na carreira? Já enfrentou alguma crise?
Sempre ouvi de pessoas mais velhas que chega uma hora em que a gente começa a perder. Mas digo com pureza de alma: até agora, não perdi nada! Claro que isso tem a ver também com uma valorização da mulher. Antigamente, era um crime perguntar pra mulher a idade dela. Hoje, isso está em todas as revistas. A mulher não é mais necessariamente um objeto de permuta da família, como era antes. Ela pode até ser, mas só se quiser.
Tem achado mais difícil encontrar papéis bons para sua faixa etária?
Até agora, não tenho o que reclamar. De verdade, não tenho motivos para fazer tipo. Até imagino que para algumas pessoas seja uma fase complicada, mas eu não senti nenhum efeito na minha carreira.

Escola em casa
A trajetória de Glória começou ainda criança, por influência do pai, o ator Antônio Carlos Pires. Em 1968, a então menina apareceu na abertura e em algumas cenas da novela A Pequena Órfã, da TV Excelsior. Chegou a trabalhar com o pai no humorístico Chico City. Hoje, mãe de Cléo Pires, a índia Estela de Araguaia, a atriz reconhece que é de uma época diferente e que foi mais fácil para ela iniciar uma carreira artística sem tanta pressão. "Naquele tempo não havia internet, blogs, essas coisas. Meu pai era ator e eu era atriz, mas não éramos celebridades", criticou.
Sua carreira começou a decolar na época em que interpretou a adolescente Marisa de Dancin' Days. "Não foi minha estreia, mas foi meu primeiro grande personagem. Para mim, essa é uma das melhores novelas do mundo", valorizou. Com o sucesso, garantiu a vaga de protagonista de Cabocla, época em que conheceu o cantor e ator Fábio Jr., com quem se casou e teve Cléo. Depois de se destacar em outros papéis, Glória alcançou um patamar ainda mais alto na Globo ao transformar a vilã Maria de Fátima, de Vale Tudo, em um dos personagens mais odiados da TV brasileira. Uma atuação que é possível conferir atualmente na reprise do canal por assinatura Viva, da Globosat. "Não tenho tempo para assistir, mas pedi que gravassem. Quando eu puder, pretendo ver todos os capítulos", garantiu.
Tela fechada
Apesar de marcada por suas atuações na TV, Glória confessa que não é uma telespectadora assídua das emissoras abertas. Assistir novelas então é algo raro. "Quando estou em casa, sem ter nada para fazer, ligo um pouco e vejo o que está passando e o que meus amigos estão fazendo. Mas quase não tenho tempo livre", assumiu. A atriz até tem muito material pessoal gravado, mas dificilmente resolve rever cenas antigas. Principalmente se forem dela. "Minha onda é fazer. Assistir não é comigo", atestou. Nem mesmo os trabalhos de Cléo Pires prendem a atenção da mãe. "De vez em quando, eu vejo. Mas não acompanho", enfatizou.
Trajetória Televisiva
# A Pequena Órfã (TV Excelsior, 1968) - Glorinha.
# Selva de Pedra (Globo, 1972) - Fatinha.
# Chico City (Globo, 1973) - Filha do Dr. Aristóbulo.
# O Semideus (Globo, 1973) - Ione.
# Duas Vidas (Globo, 1976) - Letícia.
# Dancin' Days (Globo, 1978) - Marisa De Souza Mattos.
# Cabocla (Globo, 1979) - Zuca.
# As Três Marias (Globo, 1980) - Maria José.
# Água Viva (Globo, 1980) - Sandra Fragonard.
# Louco Amor (Globo, 1983) - Cláudia.
# Partido Alto (Globo, 1984) - Celina.
# O Tempo e o Vento (Globo, 1985) - Ana Terra.
# Direito de Amar (Globo, 1987) - Rosália Alves Medeiros.
# Vale Tudo (Globo, 1988) - Maria de Fátima Acioly.
# Mico Preto (Globo, 1990) - Sarita.
# O Dono do Mundo (Globo, 1991) - Stela Maciel Barreto.
# Mulheres de Areia (Globo, 1993) - Ruth/Raquel Araújo.
# Memorial de Maria Moura (Globo, 1994) - Maria Moura.
# O Rei do Gado (Globo, 1996) - Rafaela Berdinazzi.
# Anjo Mau (Globo, 1997) - Nice.
# Suave Veneno (Globo, 1999) - Inês/Lavínia.
# Desejos de Mulher (Globo, 2002) - Júlia Miranda Moreno.
# Belíssima (Globo, 2005) - Júlia Assumpção.
# Paraíso Tropical (Globo, 2007) - Lúcia Vilela Cavalcanti.
# Insensato Coração (Globo, 2011) - Norma Pimentel.

Galeria de fotos:

'Paraíso Tropical'


'Dancin' Days'


'O Rei do Gado'


'Cabocla'


'Mulheres de Areia'


'Memorial de Maria Moura'


'Vale Tudo'


'Partido Alto'

Fonte de Pesquisa:
Site Terra

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