sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A história de amor polêmica entre a poetisa Elizabeth Bishop e arquiteta Lota de Macedo Soares

Por Raphael Camacho | 15 de agosto de 2013

Como contar uma história de amor em forma de poesia? O cineasta carioca Bruno Barreto (Última Parada 174) teve a missão de mostrar na tela o grande e polêmico amor entre duas fortes e diferentes mulheres. Flores Raras é uma história de outra época, em que todas as emoções viravam poesia. As atrizes principais dão um show em cena e valorizam cada segundo do bom trabalho de Barreto atrás das câmeras.
Com o roteiro de Carolina Kotscho (Quebrando o Tabu) e Matthew Chapman (A Tentação), o longa mostra a conturbada e emocionante história de um triângulo amoroso entre a tímida poetisa Elizabeth Bishop, a arquiteta brasileira Lota e a sua esposa norte-americana, radicada no Rio de Janeiro. Essa relação contém amor, carinho, compaixão e loucura, levando os personagens da vida real a um desfecho repleto de melancolia.
Dissolvendo a dor em doses de álcool, Elizabeth Bishop é interpretada pela excelente atriz australiana Miranda Otto (Guerra dos Mundos). A serenidade da artista chama a atenção, pois ela consegue desenvolver sua personagem com leveza. Seus problemas com o alcoolismo afetam cada vez mais a sua relação com Lota (Glória Pires), levando-as ao fundo do poço.
Glória Pires (É Proibido Fumar) – em sua melhor performance no cinema – interpreta a corajosa Lota de Macedo Soares. Um primoroso trabalho de doação da veterana atriz da televisão brasileira. Não seria um absurdo dizer que tanto Glória quanto Miranda têm chances reais de uma indicação ao Oscar no próximo ano.
A mudança cultural é um ponto bem trabalhado no filme, por conta de toda a adaptação da poetisa Bishop ao chegar a um país desconhecido. Ela não esperava se apaixonar, no entanto, cai em tentação ao ver os seus sentimentos correspondidos. A partir desse romance surge um livro, poemas, novos vícios e muitas mágoas. Sua relação com Lota nunca foi bem estabelecida por causa de um descontrole pessoal escondido em cada verso dessa narrativa.
A trama começa intensa e desenfreada, entretanto, os últimos minutos da obra ser tornam arrastados. O roteiro escorrega nas definições finais de cada personagem. Essa história de amor, repleta de felicidade e aflições, merecia um carinho e uma atenção especial para o seu encerramento. Contudo, esse deslize não estraga as outras dezenas de qualidades do longa.

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