sábado, 9 de março de 2013

Bruno Barreto e Gloria Pires apresentam 'Flores Raras' em SC

Filme foi apresentado durante Encontro de Cinema Nacional, na capital.Longa é inspirado na história da poeta Elizabeth Bishop e a arquiteta Lota. 


 Em 1951, no Central Park, em Nova York, a poeta Elisabeth Bishop ouvia uma crítica a sua poesia. É então que decide visitar uma amiga no Rio de Janeiro. Porém, o que Mary, a afitriã, não imaginava, era que recebê-la em sua casa mudaria a vida das duas. É nesse contexto, de mudanças, que se desenvolve o filme ‘Flores Raras’, baseado em fatos reais e apresentado pela primeira vez à imprensa na sexta-feira (8) durante o 4º encontro do Cinema Nacional, em Florianópolis. 


Dirigido por Bruno Barreto e estrelado por Gloria Pires, o longa é ambientado entre 1951 e 1967 e narra a conturbada relação entre a poeta Elisabeth Bishop, interpretada pela australiana Miranda Otto, e a arquiteta Lota de Macedo Soares, vivida por Gloria. Elisabeth é americana e vem para o Rio de Janeiro a convite de Mary (Tracy Middendorf ), então companheira de Lota. Porém, ao se encontrarem, as duas se apaixonam e iniciam um triângulo amoroso que incluiu a recusa de Mary em se afastar, mesmo após a traição. 

Após alguns anos de convivência, em um período conturbado da história brasileira, que incluiu o Golpe Militar, a relação começa a ser abalada quando Lota aceita trabalhar na construção do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Enquanto ela passava os dias debruçada sobre o projeto, Bishop retomou o consumo do álcool, o que piorou a relação entre as duas. 

 Segundo Barreto, alguns anos foram necessários para que o filme saísse do papel. Lucy, que chegou a conhecer Lota e Bishop, leu o livro e comprou os direitos sobre ele em 1995. Embora tenha oferecido ao filho, inicialmente Barreto não achou interessante e sequer leu a história. Depois, em 2008, ao ouvir falar novamente da narrativa, buscou saber mais e iniciou uma análise. “Não bastava apenas ser interessante. Precisava entender: para que contar aquela história? Por quê? Na mesma época, terminava um casamento de 15 anos e então percebi que o que era mais importante na história era a perda, por isso inicialmente o filme iria se chamar ‘A arte da perda’, porque é essa a essência”, conta ele. Sua mãe, Lucy, e sua irmã, Paula, são produtoras do filme.

 Para Gloria, o tempo que demorou para ser produzido foi um tempo de amadurecimento. “O filme esperou 17 anos para acontecer e sinto que neste tempo todo foram sets em que você sai ganhando”, comentou. 

   Gloria Pires já havia interpretado um papel com traços masculinos em ‘Se eu Fosse Você’ e disse não ter tido dificuldades para viver a arquiteta. “Eu sempre busco novas oportunidades e este é um papel ousado, diferente. Ela era uma mulher de muita personalidade. O mais interessante foi perceber, ao longo da história, é que a que era frágil tornou-se forte e a que parecia ser forte, na verdade, era frágil”, comentou a atriz, que não descarta a possibilidade de atuações em filmes estrangeiros, após a experiência de Flores Raras, filmado em inglês. "Por que não?", sugeriu. 

A fotografia do filme também rendeu comentários durante a coletiva de imprensa. A casa escolhida para as filmagens não foi a original, pois não foi possível gravar no local, mas uma propriedade projetada por Oscar Niemayer e com os jardins de Bourle Marx. A produção é da mãe e da irmã do diretor, Lucy e Paula Barreto, e a coletiva de imprensa em família incluiu brincadeiras e descontração. 


Além disso, diretor e produtora concordam que não se trata de um filme homossexual. “Para falar da perda, podia ser homem ou mulher. O fato de serem homossexuais não é o mais importante. Não posso ser indiferente neste sentido, mas o mais importante era como lidaram com a perda em suas vidas”, disse Barreto

A estreia de ‘Flores Raras’ nos cinemas está prevista para a segunda quinzena de maio.

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