quinta-feira, 21 de março de 2013

Gloria Pires sobre carreira das filhas: "Já chorei vendo as meninas na TV"

Atriz, que interpreta a Roberta Leone da novela "Guerra dos Sexos", faz 50 anos em agosto com sentimento de gratidão por tudo que a vida lhe trouxe. Bem-humorada, a atriz respondeu às perguntas enviadas pelos leitores ao site de QUEM e falou sobre o casamento com o cantor Orlando Morais, os filhos e a relação com os fãs. Ela também deu sua receita de bem-estar: “Eu jogo o lixo emocional fora”


 Gloria Pires cresceu praticamente na televisão, onde estreou, “mor-ren-do de vergonha”, ainda menina, na abertura da novela "A Pequena Órfã", em 1968. O tempo de estrada fez dela atriz premiada, uma das mais queridas pelo público, que seguiu com afeição sua trajetória de sucessos, como a vilã Maria de Fátima, de "Vale Tudo" (1988), e a Norma, de "Insensato Coração" (2011). “Eu me sinto muito amada”, diz ela, atualmente no ar como a empresária Roberta Leone da novela das 7 da TV Globo, "Guerra dos Sexos", escrita por Silvio de Abreu

 Aos 49 anos, Gloria não se abala com a proximidade dos 50, que estão logo ali, no dia 23 de agosto. Bem-humorada, conta que cuida da beleza e da forma com disciplina, mas que também joga o lixo emocional fora. “Eu sou uma pessoa calma. Às vezes, saio do sério, mas, com a idade, tenho saído menos”, fala a atriz, ao responder às perguntas que os leitores enviaram ao site de QUEM. 

 Mãe de Cleo, 30 anos, da união com Fábio Jr., e de Antonia, 20, Ana, 12, e Bento, 8, do casamento com o cantor Orlando Morais, ela já chorou vendo as duas filhas mais velhas, atrizes como ela, na televisão. Por causa da carreira musical, Orlando vive em Paris. A ponte aérea Brasil-França, Gloria admite, não é fácil, mas o casal completa em abril bodas de prata, com planos para uma viagem a dois. “A gente está merecendo”, diz a atriz, que, nas horas vagas, prioriza o lazer com a família. 

 1 - Você morou nos Estados Unidos e na França. Essas experiências aproximaram a família? André Becker, Blumenau (SC) 

Aproximaram, nos fortaleceram muito e, para mim, foram duas experiências incríveis, que quero repetir em breve. Ainda não sei onde. Orlando tem mania de morar fora, e, aí, de vez em quando, ele vem com umas ideias. Foram dois momentos de crescimento pessoal em termos de viver em um lugar onde ninguém te conhece, onde você não domina a cultura, as normas vigentes. A vida de turista é diferente da vida de quem mora ali. Eu costumava dizer que era muito bom viajar no inverno, mas, depois que vivi no inverno, acho muito chato. As três primeiras semanas são uma delícia, mas depois conto o tempo para acabar. Põe casaco, tira casaco... Mas é uma experiência de muito crescimento você lidar com coisas novas, tendo sua família para cuidar, descobrir médico, pegar a manha dos lugares.

 2 - Orlando fica a maior parte do tempo em Paris. Como é quando você está aqui gravando? Lucia Helena Lapa, por e-mail 

Esses 25 anos juntos ajudam a gente a passar por essa situação, que não é fácil nem confortável nem é o melhor dos mundos. As crianças também sentem muita falta. Não é o ideal. A gente se fala pelo telefone e Orlando vem a cada mês e pouco, mas fica nesse pingue-pongue. É muito difícil. Para o Orlando, está valendo muito a pena, as coisas estão caminhando muito bem para ele, que está lá desde fevereiro de 2008. Ele está muito feliz e, se ele está feliz, eu estou feliz. Depois que "Guerra dos Sexos" acabar, vou para lá. Queremos comemorar as nossas bodas de prata, em abril, com uma viagem. Vai ser bom para nós uma viagem romântica. Estamos merecendo. 

 3 - Tem algum trabalho doméstico que você faça bem? Isabela Reis, por e-mail 

Cozinhar não é o meu forte. Se eu tiver que fazer alguma coisa, vou pegar uma receita e fazer, mas não tenho a lida. Todo o resto, passar, lavar, limpar, eu faço bem. 

 4 - Como você é como mãe? Angela Bittencourt, Caxias do Sul (RS) 

É muito importante educar os filhos para que eles tenham uma boa estrutura para eles, não para me agradar ou ao pai, mas para que sejam felizes, saibam dizer não e escolher com bom discernimento o caminho a seguir. Educar é dar ferramentas para a vida. Sou muito amiga deles, mas sou muito mãe deles. A gente pode até optar por não fazer o certo, mas tem que saber o que é. A ideia que procuro passar é a de fazer boas escolhas, a famosa inteligência emocional. 

 5 - Gostaria de ter tido mais filhos? Graça Ramos, São Bernardo do Campo (SP) 

Eu perdi dois bebês, mas quatro filhos era um número que eu sempre imaginava. Quando eu era menina, não queria ter filho nenhum, depois achei que seria incrível se eu pudesse adotar muitas crianças. Acabou que tive a Cleo e fiquei com essa coisa de quatro filhos. Não sabia se ia ser possível, mas acabou sendo e os quatro estão aí. Faltam os netos. 

 6 - Você sofreu dois abortos espontâneos. No que se apegou para superar essa dor? Maria Emília Tavares, por e-mail 

Os outros filhos que eu tinha, meu marido... É a vida que caminha. É uma dor, e a dor existe gerada por algo, e a compreensão daquele fato ajuda muito a passar por aquilo. 

 7 - Você se considera uma pessoa forte emocionalmente? Larissa Acioli, Juazeiro (BA) 

Fisicamente eu sei que sou muito forte para aguentar o desgaste, saber lidar com o estresse, tenho uma boa estrutura física. Mas emocionalmente... Não sei nem o que é isso. Eu sou uma pessoa calma. Às vezes, saio do sério, mas, com a idade, tenho saído menos. Com a experiência, você vai vendo a hora em que a macaca vai se aproximando e já vai trabalhando. 

 8 - Você se sente amada e querida? Maria Cristina Torres, Barueri (SP) 

Muito. Em primeiro lugar, pelo meu núcleo, a minha família. Era assim com os meus pais, é assim com a família que eu e Orlando criamos. A gente não tem nenhuma dificuldade em se expressar, em ser afetivo, dizer que está chateado ou com problemas. Mas sinto do público um carinho muito grande, de os mais velhos terem me visto criança, acompanhado o meu crescimento, o nascimento dos meus filhos. Isso cria um laço. Acho bacana quando há crianças, adolescentes, que curtem meu trabalho. Eu me sinto muito amada. 

 9 - Sou sua fã e do Orlando. Qual é a música dele que você mais gosta e por quê? Janaína da Cruz, por e-mail 

Uma música que é muito pouco conhecida chamada "Silêncio". Ela é feita só de frases soltas que não têm nenhuma conexão racional, mas, quando você escuta, todas aquelas palavras fazem sentido. Quando ele está compondo, me mostra as músicas, mas eu não dou palpite, não.

 10 - Sempre vejo fotos suas com uma cachorrinha. Como é o nome dela? Sergio Assumpção, Salvador (BA)

Bijoux. Ela é uma pincher toy de 4 anos. Sempre gostei de animais e as crianças adoram. A Cleo tem cinco cachorros. A Bijoux é o xodó da casa. Sempre que não vou ao Projac ou ao supermercado, estou com ela na mão. 


 11 - Que influência seu pai, Antônio Carlos Pires, que também era ator, teve em sua decisão de ser atriz? Edisom Oliveira, Juiz de Fora (MG)

 Foi o dia a dia dele que me influenciou, vê-lo fazer e montar fisicamente os personagens. Ele era ator cômico, mas naquela época a maquiagem era bem teatral, com caracterização bem pesada. Isso sempre me fascinou. Além disso, tinha o fato de como as pessoas gostavam dele, a coisa de ele estar sempre ensaiando, memorizando. A paixão do meu pai pela profissão era muito tranquila, oficiosa, zero glamour, só a arte de fazer, mesmo.

 12 - Você se preocupa com a pressão que Cleo e Antonia possam sofrer por ser suas filhas? O que acha de Cleo em "Salve Jorge" e da Antonia em "Guerra dos Sexos"? Andrea Cristiane Coutinho, Limeira (SP) 

Acho as duas maravilhosas, porque buscam o caminho e a independência delas. Quanto à responsabilidade de ser minhas filhas, Cleo e Antonia estão desvinculadas disso, que é algo muito mais na cabeça das pessoas que na das meninas ou na minha. Estou muito orgulhosa delas e muito feliz com o caminho que estão conseguindo. Quando vejo as duas na televisão é muito gostoso, já chorei vendo as meninas na TV. É uma coisa muito louca, não tem explicação. 

 13 - No começo da sua carreira, você precisou enfrentar algo que a fez pensar em desistir da profissão? Carolina Serra, Santo André (SP) 

Com 7 anos, fiz um teste para uma novela e fui rejeitada. Não me quiseram, chorei, foi a primeira rejeição da vida. Foi um bom baque. Todo mundo tentou me consolar: “Não filhinha, não chora, vai passar, não era para ser você”... Essas coisas que pai e mãe falam. Depois reencontrei quem tinha me rejeitado, a vida dá voltas (risos). 


 14 - Qual é a sua lembrança mais antiga como atriz? João Lacerda, Belo Horizonte (MG) 

Nem era bem como atriz, foi a abertura da novela "A Pequena Órfã" (1968), quando eu tinha de 4 para 5 anos. Eu me lembro de tudo: cheguei em um lugar, era uma externa. Subi em um platô, e o diretor falou “você se vira e sorri”. Quando eu virei e vi aquele monte de gente olhando, fiquei mor-ren-do de vergonha, mas sorri. Não gostei de estar ali e não sei o que me levou a voltar. Eu tinha muito medo, mas sempre queria fazer. O medo só passou com "Dancin’ Days" (1978). Ali perdi o medo. Curtia tudo. 

 15 - Eu lembro de você na festa do Oscar, em 1996, por causa do filme "O Quatrilho", indicado para melhor filme estrangeiro. O que guarda daquela noite? Jorge Santos, Niterói (RJ) 

O frio! A correria que foi, a gente saiu do hotel meio-dia para a festa, que começava às 7h da noite. Não é só chegar ao tapete vermelho, tem uma série de compromissos, uma função que antecede a cerimônia e que é importante. Aquilo ali é como um grande escritório, é business, é para trabalhar, não é para se divertir. É bacana o espetáculo em si, a forma como eles trabalham, com muito preparo, tecnologia e profissionalismo. Vi muita gente famosa, mas, quem eu curto – como Robert De Niro, Robert Duvall, Meryl Streep –, se eles estavam lá, não vi. 

 16 - Qual é o seu segredo de beleza? Cláudia Songane, Moçambique 

Amo e sou feliz. Cuido do cabelo, do corpo, faço massagens, tratamentos estéticos. Mas, sem uma boa saúde, não há creme que dê jeito, não há xampu que resolva, não há massagem que cure. O corpo é uma máquina perfeita, a gente é que o estraga. Sou disciplinada, procuro me alimentar bem, fazer exercícios. Eu jogo o lixo emocional fora. Meu pai fez ioga a vida toda e, quando ficou doente, com mal de Parkinson, eu vi o tanto que os anos de ioga ajudaram na sobrevida dele, no desenrolar da doença. Estou atenta a meus hábitos, porque nós somos o que temos de hábitos. 

 17 - Roberta Leone a inspira no dia a dia? Qual é o seu estilo? Tamires Moreira, Cataguases (MG)

 Eu acho bonito o estilo dela, mas não é a minha cara. Eu gosto de cores, mas em geral uso tons mais neutros. Cor forte eu uso só para pontuar, sou mais sóbria. Busco o conforto e a forma. 

 18 - O que você gosta de fazer quando está de folga? Camila Correia, Governador Valadares (MG)

Desenhar, ir ao cinema, tomar sol e qualquer outra atividade em que minha família esteja incluída, como ficar vendo filme ou jogar. O jogo favorito lá de casa é o War. Acho chatíssimo, mas acabo jogando. Eu adoro mexe-mexe (jogo de cartas), que, para mim, é o melhor que tem. Mas meu passatempo predileto é ver filmes. Não gosto de terror e de suspense; policiais, com exceções. Gosto de filmes sensíveis, que sejam belos, de cineastas como Bernardo Bertolucci e Ang Lee. As Aventuras de Pi, do Ang Lee, é um filmaço. 

19 - Você ainda segue o kardecismo? Lair da Silva, Porto Alegre (RS) 

Sim. Meus pais não tinham religião, mas eu tinha uma tia kardecista. Ela sempre fazia o culto ao lar, lia o Evangelho todos os dias. Por causa de minha tia, comecei a me aproximar do kardecismo e continuo até hoje. Quando você pratica a oração, abre seu coração de uma maneira muito forte. Eu sinto que existe uma troca. Tem horas em que a gente parece que está em uma panela de pressão, sinto que vou explodir; daí, fico quietinha e começo a rezar. Vai embora. É maravilhoso. 

 20 - Você fará 50 anos em agosto. Quando olha para trás, do que tem orgulho? Pedro Amarante, São Paulo (SP) 

Não sei se é bem orgulho a palavra. Eu tenho gratidão, muita gratidão por tudo o que eu tive, pela família que tive e pela que tenho hoje, o que eu consegui na minha carreira, os amigos que fiz, as pessoas que acreditaram em mim – e as que não acreditaram em mim também.



Fonte:
QUEM

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