segunda-feira, 6 de junho de 2011

Gloria Pires fala sobre interpretar as cenas pesadas de Norma, a vilã de ‘Insensato coração’

‘Sinto dores, muita tensão, saio cansada. É bem estressante’
Carla Bittencourt

Uma entrevista concedida exclusivamente ao Canal Extra

Foram necessários três meses de intensa negociação para Gloria Pires conceder esta entrevista para a Canal Extra. Até um papo no camarote de uma cervejaria, em pleno carnaval, aconteceu antes de ela dar seu "sim" definitivo. Mas que ninguém pense que se trata de um traço de estrelismo da atriz. Pelo contrário. Gloria Maria Cláudia Pires de Morais, de 47 anos, uma leonina com influência do signo de Virgem, não faz nada por impulso — apesar de ter ascendente em Sagitário. Pensa mil vezes antes de tomar uma decisão. Tem quase que um tempo particular. Um defeito, inclusive, dito por ela mesma, é não lidar bem com a pressão — principalmente a dos outros. É quando perde as estribeiras, conta, a voz calma e calorosa.
Além disso, Gloria é uma das poucas celebridades a dar a palavra final sobre qualquer assunto relacionado a sua carreira. Então, para marcar um compromisso, a atriz precisa fazer malabarismos. E não tem sido nada fácil achar uma brecha na agenda dela, requisitadíssima mesmo quando está fora do ar. Intérprete da intensa Norma, de "Insensato coração", Gloria trabalha de segunda a sábado, grava dezenas de cenas por dia. Fora do Projac, dedica-se ao marido, o músico Orlando Morais, e aos filhos, Cleo, de 28 anos — que não mora mais com ela—, Antonia, de 18, Ana, de 10, e Bento, de 6. Profissional de sucesso, mãe amorosa, Gloria Pires parece ter saído de um comercial de margarina. "Não tenho do que reclamar. Tive sempre muita sorte na vida", afirma.


— Você tem 42 anos de carreira e 23 de casamento. Estabilidade é sua palavra de ordem?
— Eu sou cúspide, nasci entre um signo e outro. Nos mapas que já fiz, sou Leão com muita influência de Virgem. O leonino é a estabilidade. O virginiano tem os pés na terra, gosta de ter o entorno organizado e funcionando em harmonia. Além disso, o leonino lida com a perspectiva do futuro, da eternidade. Sou uma junção dos dois.


— Você parece ter um ritmo particular, é calma, pensa antes de falar...
— Penso muito antes de tomar qualquer decisão. Já até fui levada pelo impulso, mas aprendi que preciso de um pouco mais de tempo para dar a palavra final. E comecei a ficar mais feliz depois que passei a me dar esse tempo, sabia? Ah, a gente é muito pressionada. Tenho ascendente em Sagitário, que é muito impulsivo. Então, procuro me entender e saber como isso age em mim para viver melhor.


— Mas você nunca desce do salto?
— Quando me sinto pressionada, com um acúmulo de coisas, perco bastante a paciência. E pode ser com coisas bobíssimas. Mas, no cômputo geral, tenho educação até para sair dos eixos, sabe? Em geral! (risos)


— Você tem filhos de idades completamente diferentes. Sua casa não é meio uma Torre de Babel, com os quatro falando línguas diferentes?
— Ah, com certeza! É uma loucura, mas é uma curtição também. Não sei como é ter filhos de idades próximas. O maior desafio é incluir a família toda num programa. Mas tem vezes que até Cleo estão numa de fazer os programas dos pequenos.


— É a mesma mãe para os quatro?
— Não. E nem tenho como ser. São momentos de vida completamente diferentes. Quando Cleo e Antonia nasceram, minha demanda de trabalho era menor, eu tinha mais tempo. O ritmo foi aumentando tanto que já até falei com Orlando que, depois da novela, a gente precisa tirar o pé do acelerador para curtir mais um pouco. Atualmente, estou tentando dar mais atenção às mais velhas. Como os pequenos acabam tomando mais nosso tempo, tenho procurado ficar mais com Cleo e Antonia.


— É do tipo mãe-amiga?
— Sou amiga, sim, mas sou mãe-mãe. Acho que limite é só mãe que dá. Isso é importantíssimo! Cada vez mais. Tenho visto que as pessoas têm dificuldade em ouvir não. Têm dificuldade em entender que as coisas não (enfatiza) podem ser. E é difícil lidar com as frustrações dessas pessoas depois. Antigamente, via famílias orgulhosas por terem filhos corretos. Tinham orgulho de falar: "Dentro da minha casa não acontece isso" ou "Filho meu não faz um negócio desse". Isso era uma conversa recorrente. Hoje, vejo o núcleo familiar perdido, muito frágil. As pessoas gritam, não têm educação, falam palavrões... Aí, o filho repete o que você fala, o que você faz. Isso me preocupa muito. Exemplo é o que temos que deixar para os nossos filhos.


— Como é o Orlando pai?
— Orlando é um pai amorosíssimo, um marido de novela. Ele é presente com os filhos e chama a atenção quando precisa, mas não para em casa, nunca parou. Trabalha em Paris, em Goiânia, em Brasília. Orlando está envolvido com dois loteamentos em Goiânia que tomam todo o seu tempo. É a energia dele que está fazendo aquilo ali andar. E Orlando cuida de tudo pessoalmente, porque mexer com coisa pública é uma complicação. Essa área é nossa há dez anos e entrou, como algumas outras na área de expansão urbana. Com isso, fizemos dois loteamentos populares que receberam os nomes de nossos pais (Orlando Morais e Antonio Carlos Pires) e por conta de parceria com a Prefeitura doamos o terreno onde a mesma esta construindo 800 casas populares (e das quais 100 unidades foram entregues). O objetivo principal da parceria é retirar familias que atualmente vivem em áreas consideradas de risco. Os loteamentos terão escola, centro de lazer e cultura, posto medico, comercio, etc...


— Tem receita para estar casada há tanto tempo?
— Não tem receita. Eu e Orlando tivemos um encontro muito especial. E soubemos administrar a falta de maturidade, a insegurança e os medos que tivemos. Somos apenas a junção de duas pessoas diferentes e unidas por um interesse comum, que é o de estar junto.


— Cleo já tem uma carreira estabilizada, e Antonia está seguindo seus passos também. Você dá pitaco?
— Dou, sim, mas só quando me pedem. Fico apreensiva, claro, como qualquer mãe, mas consigo ficar na minha e deixar que elas se decidam sozinhas.


— Além de Cleo e de Antonia, seus outros filhos, Ana e Bento, também demonstram interesse pela profissão dos pais?
— Essa profissão é muito louca, porque o universo lúdico está dentro de todo mundo. E isso se manifesta de uma forma ou de outra. Ana diz que não quer ser nada. Já Bento queria ser super-herói. Aí, fui explicar, vendo filmes, como o ator fazia o papel de super-herói. E ele começou a curtir mais ainda (ela solta uma gargalhada). Isso pode ser um sinal, mas pode ser um interesse passageiro.


— A imprensa e os colegas, geralmente, só têm elogios a você. Na entrevista coletiva de "Insensato coração", o diretor Dennis Carvalho chegou a te comparar a Fernanda Montenegro. Isso te deixa envaidecida?
— Não. Na verdade, fico constrangida com tantos elogios. É claro que queremos que as pessoas gostem da gente, do nosso trabalho. Mas Fernanda é realmente uma dama, um ícone, uma pessoa incrível, tem um bom humor... Ela tem uma história que não dá para comparar.


— Você sempre foi envergonhada?
— Muito! Não sei como cheguei onde cheguei. Eu ia gravar em pânico, trêmula, não relaxava, minha boca ficava seca. E, também, sempre achava que estava canastrona, pagando mico, sabe? Não ficava nada à vontade. Eu queria não ir, mas tinha uma coisa que me fazia ir. Dizem que quando a gente tem atração grande por alguma coisa, a gente tem também medo de errar, de perder. Talvez tenha sido isso. Mas mudei com a maternidade e quando conheci o Orlando.


— E você não fez teatro... Por quê?
— Não aconteceu... A vida foi indo, e acabei não fazendo. As pessoas me procuram, me mandam textos bacanas. Mas tem que ter uma forma de isso ocorrer, que ainda não rolou. Se um dia acontecer de eu fazer teatro, não vai ser como meus colegas que fazem TV e teatro juntos. Não vou querer dividir com nada.


— Norma é uma personagem bem pesada. Como você fica quando termina suas cenas?
— Tem certas coisas em que a experiência não ajuda. Nosso corpo reage aos estímulos. Então, sinto dores, muita tensão, saio muito cansada. Faço holfing (terapia corporal) para recolocar a musculatura no lugar e acabar com a tensão.Faço exercício físico, sauna. São coisinhas que auxiliam nessa recuperação. Mas é sempre bem estressante.


— Você é uma mulher vaidosa?
— Sou. Mas não acredito só no poder do creme. Eles ajudam, claro, mas somos por fora o que somos por dentro. E não tenho medo de envelhecer. Desde muito nova, sabia que ia morrer velha.


— Quer ser avó?
— Muito! Estou preparadíssima para isso. Tenho cobrado há muito tempo. Espero que Cleo e João (o publicitário João Vicente de Castro, marido de Cleo) se animem para eu ser avó logo. Lá em casa, Bento e Ana têm uma cachorrinha e, quando converso com ela, me refiro como vovó (risos). O instinto maternal em mim veio muito cedo. Não engravidei por acidente, eu queria engravidar. Senti o meu momento maternal chegando. Eu tenho essas coisas. E ser avó é um desdobramento disso tudo.

 Gloria com o marido Orlando e os filhos Antonia, Ana e Bento
 Gloria Pires e Orlando Morais
 Gloria e suas 3 filhas
Antonia Morais e Gloria Pires

Fonte de pesquisa:
Extra - Retratos da Vida

Confiram AQUI a citação que o site da Revista Quem Acontece  fez sobre essa entrevista

Um comentário:

Anônimo disse...

amo muito aglorinha tudo de bom para ela